Eclipse solar de agosto vai transformar o dia em noite por até 1 minuto e 40 segundos em parte da Europa

O próximo dia 12 de agosto marcará um dos eventos astronômicos mais aguardados de 2026. Um eclipse solar total levará milhares de observadores e cientistas a diferentes pontos da Europa para acompanhar um fenômeno que, além de impressionar visualmente, oferece uma oportunidade rara para ampliar o conhecimento sobre o Sol.

Durante o eclipse, a Lua passará exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando completamente a luz solar em determinadas regiões. Em alguns locais situados na faixa de totalidade, o céu ficará escuro por cerca de 1 minuto e 40 segundos, criando um cenário incomum em pleno dia.

Embora a escuridão completa aconteça apenas nas áreas atingidas pela sombra da Lua, pesquisadores de diversos países aproveitarão esse curto intervalo para realizar observações que normalmente são impossíveis devido ao intenso brilho da estrela.

Por que esse eclipse desperta tanto interesse entre os cientistas

Os eclipses solares totais permitem que equipamentos instalados em solo observem detalhes da atmosfera do Sol que permanecem escondidos durante o restante do tempo.

Com a luminosidade bloqueada pela Lua, torna-se possível estudar diretamente a coroa solar e a cromosfera, duas regiões externas da estrela responsáveis por fenômenos que influenciam todo o Sistema Solar.

Essas observações ajudam pesquisadores a compreender melhor como o Sol produz campos magnéticos, movimenta enormes quantidades de plasma e gera eventos capazes de afetar diretamente a Terra.

Duração da totalidade Até 1 minuto e 40 segundos em algumas localidades.
Data 12 de agosto de 2026.
Principal região de observação Norte da Espanha e outras áreas da Europa.

A coroa solar estará totalmente visível

Entre os principais objetivos da missão científica está a análise detalhada da coroa solar, camada extremamente quente que envolve o Sol e normalmente permanece escondida pela intensa luminosidade da estrela.

Segundo o astrônomo Alain Sachabrun, da Comissão de Energia Atômica da França (CEA), o eclipse representa uma oportunidade rara para estudar o campo magnético solar, o comportamento do plasma e diversos processos físicos que acontecem continuamente na superfície e na atmosfera da estrela.

Mesmo estando mais distante do núcleo solar, a coroa pode atingir temperaturas próximas de 2 milhões de graus Celsius e se estende por aproximadamente 10 milhões de quilômetros além da superfície do Sol.

2 milhões
graus Celsius na coroa solar
10 milhões
de quilômetros de extensão
1m40s
de totalidade em alguns pontos

Tempestades solares estarão entre os principais estudos

Outro foco importante das pesquisas será compreender com mais precisão como surgem as tempestades solares e de que forma esses eventos podem ser previstos com maior antecedência.

As tempestades solares liberam enormes quantidades de partículas eletricamente carregadas que viajam pelo espaço e podem alcançar o campo magnético terrestre.

Quando isso acontece, satélites, espaçonaves, sistemas de comunicação, equipamentos de navegação e até redes de energia podem sofrer interferências dependendo da intensidade do fenômeno.

As auroras observadas nas regiões polares também são consequência da interação entre essas partículas provenientes do Sol e a atmosfera terrestre.

O que os cientistas pretendem analisar

Campo magnético solar
Movimentação do plasma
Origem das tempestades solares
Comportamento do vento solar

Agências espaciais aproveitarão o eclipse

A Agência Espacial Europeia (ESA) utilizará o fenômeno para aprofundar os estudos sobre a estrutura do vento solar e aperfeiçoar os modelos utilizados para prever tempestades solares.

Segundo a diretora de Ciência da agência, Carole Mundell, compreender a formação desses eventos tornou-se uma das prioridades da pesquisa espacial devido ao impacto que eles podem causar sobre tecnologias utilizadas diariamente em todo o planeta.

Quanto maior for a capacidade de previsão, menores tendem a ser os riscos para sistemas de comunicação, satélites e equipamentos em órbita.

Os eclipses já ajudaram a mudar a história da ciência

Além do espetáculo visual, eclipses solares tiveram papel importante em algumas das maiores descobertas da física moderna.

Em 29 de maio de 1919, durante um eclipse observado na Ilha do Príncipe, na costa oeste da África, o astrônomo britânico Arthur Eddington realizou medições que confirmaram experimentalmente a Teoria da Relatividade Geral proposta por Albert Einstein.

Na ocasião, o bloqueio temporário da luz solar permitiu observar o desvio da luz das estrelas provocado pela gravidade do Sol, fenômeno conhecido como lente gravitacional.

Esse experimento ajudou a transformar a compreensão da gravidade e consolidou uma das teorias científicas mais importantes do século XX.

Missões espaciais acompanham o Sol durante todo o ano

Embora os eclipses sejam oportunidades únicas para observações realizadas da Terra, diversas missões espaciais monitoram continuamente a atividade solar.

A sonda Solar Orbiter, lançada pela ESA em 2020, coleta informações sobre o ambiente ao redor do Sol e envia dados que ajudam pesquisadores a compreender melhor a dinâmica da estrela.

Outra iniciativa importante é a missão Proba-3, desenvolvida para produzir eclipses artificiais no espaço, permitindo que a coroa solar seja estudada durante períodos muito mais longos do que aqueles oferecidos pelos eclipses naturais.

A Agência Espacial Europeia também trabalha na futura missão Meso, que pretende ampliar ainda mais esse tipo de observação utilizando a própria sombra da Lua como ferramenta para novas pesquisas.

Fenômeno completo levará quase duas horas

Embora a fase de escuridão total dure apenas cerca de 1 minuto e 40 segundos em alguns locais, todas as etapas do eclipse se estenderão por aproximadamente 1 hora e 50 minutos.

Durante esse período, o disco solar será gradualmente coberto pela Lua até atingir a totalidade e, em seguida, voltará lentamente à aparência normal.

Cada fase fornece informações importantes para pesquisadores que estudam diferentes aspectos da atividade solar.

Especialistas reforçam cuidados durante a observação

Observar um eclipse solar exige proteção adequada. Especialistas alertam que olhar diretamente para o Sol sem equipamentos específicos pode provocar danos permanentes à retina.

A recomendação é utilizar apenas óculos certificados conforme a norma internacional ISO 12312-2 ou recorrer a métodos indiretos, como a projeção da imagem do Sol por meio de um pequeno orifício, técnica conhecida como pinhole.

Mesmo durante um eclipse parcial, a intensidade da luz continua suficiente para causar lesões oculares quando a observação é feita sem proteção apropriada.

Além de proporcionar um espetáculo raro no céu, o eclipse de 12 de agosto representa uma oportunidade valiosa para aprofundar o conhecimento sobre o Sol e compreender melhor os fenômenos que influenciam diretamente a Terra e a tecnologia utilizada em todo o mundo.