A destinação de embalagens cartonadas descartadas diariamente no país ganha uma solução tecnológica para a construção civil. O material descartado depois do consumo, popularmente conhecido pelas caixinhas de leite longa vida, passou a ser transformado em telhas ecológicas de alta resistência, oferecendo uma alternativa sustentável para a cobertura de residências, galpões industriais e instalações rurais.
Durante o processo de reciclagem das embalagens compostas por papel-cartão, plástico e alumínio, as fibras de papel são separadas e reaproveitadas pela indústria. O restante da estrutura, composto por polímeros e alumínio (chamado de polialumínio), é direcionado a recicladores especializados para a fabricação de produtos de longa vida útil. A empresa Ecopex, sediada em Santana de Parnaíba (SP), é uma das indústrias que utilizam essa matéria-prima para a produção das telhas.
Especificações técnicas e processo de fabricação
As embalagens longa vida possuem uma composição média formada por 70% de papel-cartão, 25% de plástico e 5% de alumínio. A fabricação das telhas utiliza o plástico e o alumínio por meio de um processo industrial que combina alta pressão e calor. Esse método funde os materiais sem a necessidade de adição de colas ou produtos químicos tóxicos.
O resultado final é uma peça ondulada que aproveita exatamente as camadas que antes dificultavam a reciclagem convencional do produto. A Ecopex informa que suas telhas contam com acabamento em manta de alumínio na camada superior, elemento projetado para refletir a radiação solar e melhorar o desempenho térmico das edificações.
| Dimensão / Propriedade | Especificação da Telha Ecológica |
|---|---|
| Tamanho da peça | 2,20 metros x 0,95 metro |
| Espessura e Peso | 6 mm de espessura / ~12 kg por unidade |
| Rendimento por metro quadrado | Aproximadamente 1,7 telha por m² |
| Inclinação recomendada | Mínima de 15%, com ideal em 27% |
Resistência mecânica e testes de laboratório
Além da leveza estrutural, os dados divulgados pelo fabricante indicam capacidade de suportar até 150 quilos por metro quadrado, oferecendo maior segurança durante os trabalhos de instalação e manutenção. A flexibilidade do polialumínio permite que o produto resista a impactos e tempestades de granizo sem trincar com facilidade, superando a fragilidade observada em telhas convencionais de fibrocimento.
O desempenho das coberturas recicladas também foi tema de avaliação acadêmica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em estudo publicado na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, pesquisadores analisaram protótipos instalados no campus experimental de Dracena (SP) durante o verão. A pesquisa comparou quatro tipos de coberturas em ambientes controlados:
Avanço do mercado de reciclagem no Brasil
De acordo com dados divulgados pela Tetra Pak Brasil em seu relatório de sustentabilidade de 2024, o país alcançou a marca de 117 mil toneladas de embalagens cartonadas recicladas, o que representa uma taxa de recuperação de 40,3%. O crescimento do setor reflete o fortalecimento da logística reversa e a expansão de indústrias focadas em produtos derivados do polialumínio.
A consolidação das telhas ecológicas no mercado de construção civil demonstra o avanço do conceito de economia circular, transformando resíduos descartáveis em insumos de alta durabilidade para a infraestrutura nacional.

